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A situação atual da Escola de Veterinária do Exército

Caros,

Reproduzo aqui relatório da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro, sobre a atual situação da Escola de Veterinária do Exército, primeira escola da profissão no Brasil, localizada no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.

Ao fim do post coloco fotos da Escola do início do ano, ainda com os vitrais intactos e em recente visita, já com as portas, janelas e vitrais abaixo como descreve o texto.




POSSE DO PRÉDIO DA ESCOLA DE VETERINÁRIA DO EXÉRCITO (POSSIBILIDADES)


Relatório elaborado pelo Acadêmico da AMVERJ, Dr. Cleo Carneiro Baeta Neves.

Inicialmente minhas sinceras desculpas pela tomada do seu precioso tempo, ao desejar historiar um assunto que poderemos reputar de bastante importância para nossa Classe.

Em fins de março último, chegou ao conhecimento da Academia de Medicina Veterinária no Estado do Rio de Janeiro (AMVERJ) por seu Presidente ARISTEU PESSANHA GONÇALVES, que uma área contendo diversas Unidades militares, situada na Av. Bartolomeu de Gusmão, bairro de São Cristóvão, abrangendo inclusive o espaço que foi ocupado pela antiga Escola de Veterinária do Exército, que estaria sendo cedida ao Governo do Estado do Rio e/ou Prefeitura Municipal, destinada a edificações e outras benfeitorias, com vistas à próxima realização das Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíada Mundial.

Isto posto, a AMVERJ, nomeou uma comissão para apurar o que efetivamente ocorria de fato, sendo integrada pelos confrades ALCIDES PISSINATI, CARMELINDO MALISKA, CARLOS ANTONIO MAGIOLI, WILLIAM RIBEIRO PINHO, tendo-me sido designado a presidência. Face à premência do tempo e sabedor dos muitos afazeres dos demais confrades membros e com conhecimento do Presidente, assumi a incumbência isolada de buscar as informações necessárias. Sendo ambiente familiar, onde servi por alguns anos, o Comando da 1 Região Militar (Escalão Logístico e Secção de Veterinária), nos primeiros dias de abril último dirigi-me ao Escalão Territorial Regional e sua Secção de Patrimônio onde, através do seu Chefe, Cel. LACOSTE e Cel. Eng.R1 BARTHOLOMEI, fui informado de que aquela grande área de 95.000 m2 havia sido efetivamente cedida ao Estado/Prefeitura, incluindo-se o terreno e instalações da antiga Es V E, conforme exibiam diversas grandes plantas que me foram apresentadas na ocasião, detalhando o espaço a ser cedido, (em chuleado). Aquele ato somente aguardava concretização apenas dependendo do registro cartoral do projeto de obras a ser aprovado, para cessão pelo Ministério da Defesa/ Comando Exército ao Governo do Estado ou Prefeitura. Foi-me fornecida uma cópia miniaturizada da planta principal interessante para servir de ilustração, ficando a sub-área de interesse e anexada ao relatório a ser elaborado.


Redigido, ele foi exposto na reunião de 05/04, realizada então no Instituto Vital Brazil, quando os integrantes da Diretoria e Conselho da AMVERJ tomaram conhecimento dos fatos, ficando decidido que seria levado ao conhecimento e consequentemente passariam suas futuras ações à liderança da Academia Brasileira de Medicina Veterinária, através de seu novo Presidente, Dr. MILTON THIAGO DE MELLO, a fim de encabeçar e coordenar um grupo de proeminentes colegas, capaz de desenvolver as necessárias providências visando o desmembramento do trecho cogitado, delimitado pelo(s) edifício(s) da antiga Es VE, na tentativa de impedir seu desvirtuamento ou mesmo sua demolição, bem como tentar sua futura destinação de interesse de nossa Classe.

Tal oportunidade ocorreu em 22 de abril, após solenidade efetuada no auditório do CRMV/RJ, presidida por seu Presidente CÍCERO PITOMBO, em homenagem ao falecido confrade LUCIO TAVARES DE MACEDO. Ao seu término, junto a numerosos colegas e confrades, tanto da ABRAMVET, AMVERJ, SOCIEDADE BRASILEIRA, SOMVERJ e CRMV/RJ, ele foi apresentado. O Dr. THIAGO DE MELLO alertou para a necessidade dos próximos e urgentes contatos, visando somar providências; uma opinião acertada consistiu na obtenção de apoio político da “bancada veterinária” da Câmara dos Deputados, liderada pelo colega ONIX LOREZONNI, conforme sugestão dos colegas RENÈ DUBOIS, JOSÉLIO ANDRADE e PERCY INFANTE, paralelamente aos contatos com autoridades civis e militares ligadas ao assunto.

Após diversos entendimentos telefônicos, em 08 deste mês e na sede da SOMVERJ, finda a reunião da ABRAMVET, foi dada ciência à mesma das novas informações colhidas junto ao Coronel BARTHOLOMEI de que na realidade ocorrera a transferência da posse da referida área pelo Ministério da Defesa para a União, e então cedida para a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro. Prevendo-se os retardos burocráticos com registros de imóveis, por antecipação foi procedida uma “entrega verbal” aos órgãos municipais responsáveis pelas obras, dada a urgência de serem atacadas, para atender exigências de estarem prontos para os referidos eventos, incluindo os reflexos urbanísticos para o entorno do Estádio do Maracanã. Da área inicial de 95.000 m2 foi, entretanto, desmembrando um trecho de 12.000 m2, pertencente ao Centro Hípico do Exército (antigas “cavalarias imperiais“, mantido como propriedade da Força Terrestre, caracterizando um sítio histórico a ser preservado). Embora já sem poder decisório, mas talvez ainda podendo fornecer alguma cooperação aos nossos representantes na tomada de decisões e providências, o Cel. BARTHOLOMEI informou que a antiga Diretoria de Patrimônio do Exército, anteriormente situada no Rio, fora transferida para o Setor Militar Urbano, no Quartel General do Exército, sob novo título- Diretoria de Patrimônio Imobiliário e Meio Ambiente- e tendo como seu Diretor atual o Sr. General LAURO.

Finda a exposição ao Presidente THIAGO DE MELLO e aos diretores da ABRAMVET, PICCINATTI  e  PINKOWSKI, decidiu-se fazer uma visita ao local, que acompanhei. Constatamos que, separado o canteiro de obras sem a propriedade do Centro Hípico, a totalidade da área já estava cercada, apresentando grande movimentação de pessoal e equipamentos na demolição dos edifícios e galpões, já estocado ali muito material. Na grande parte restou o aproveitamento dos muros externos e quase tudo o mais já demolido. Nossa (agradável?) surpresa foi verificar que somente se achavam em pé o prédio principal da sede da Es. V E e um grande pavilhão que abrigava uma das enfermarias/baias de grandes animais e suas instalações de apoio. O prédio principal, embora vítima de grande vandalismo, com remoção das esquadrias-portas, janelas, vidraças, mármores, pisos, sanitários; bem como os grandes e magníficos “vitraux” situados na parte de trás e que iluminavam a grande escadaria de acesso ao segundo piso, haviam sido totalmente destruídos, restando apenas as armações de ferro; notou-se que no piso superior apenas o teto decorado do hall, do auditório e das grandes salas estava relativamente preservado, bem como o belo assoalho em parquet.  Surpreendentemente, o pavilhão citado, aparentava estar quase que incólume, ainda um remanescente da arquitetura francesa, cujas ferragens foram trazidas junto às diversas equipes da Missão Militar Francesa que apoiou o esforço do futuro Patrono do Serviço de Veterinária do Exército em implantar o ensino da Medicina Veterinária no Brasil- Tenente Coronel Médico MUNIZ DE ARAGÃO. O pátio interno ainda possui imponente ala de palmeiras imperiais, já seculares. Segundo informou um mestre-de-obras no local, aqueles dois prédios não seriam demolidos, não sabendo precisar entretanto que finalidade teriam no final das obras.

Resta-nos pois, confiantes no empenho de nossas destacadas integrantes de nossa profissão empenhados nessa campanha pela sua conquista, envidarem os maiores esforços junto às instituições diretamente responsáveis, civis e militares, na consecução do ideal de contarmos com uma sede condigna, preservando um passado de luta e glória- usando um caso similar, verificando na mesma área de referência- o Centro Hípico do Exército, cujas instalações INTACTAS, foram mantidas em função de razões históricas, pois ali existiram as “cavalariças imperiais”, neste caso assegurando as tradições da Pátria Brasileira- reivindicando a cessão de um patrimônio tão caro ao passado de nossa Medicina Veterinária e do País. Assim, poderemos invocar as mesmas e justas razões em buscarmos a permanência daquelas instalações (mesmo já reduzidíssimas) da nossa antiga Escola de Veterinária do Exército, considerada berço da formação de Médicos Veterinários do País.

Desde o vice-reinado a existência de numerosas e graves zoonoses afetavam nossos rebanhos civis e militares, ceifando mesmo vidas humanas, tornava-se uma premente necessidade da presença de profissionais da saúde animal. Sonho acalentado pelo Imperador D. PEDRO II, tamanho foi o seu empenho junto aos cientistas franceses, notadamente o Mestre Dr. ROUX, uma das sumidades do Instituto Pasteur de Paris e de quem foi amigo pessoal e grande benemérito, somente não logrou êxito face à Proclamação da República, que somente se viu concretizado sob a presidência do MARECHAL HERMES DA FONSECA, na segunda década do século XX.

Assim, este sonho, que poderá se tornar REALIDADE, teria na preservação, posse, restauração e futuro tombamento da Escola de Veterinária do Exército pelo ISPHAN a legítima possibilidade da Medicina Veterinária Brasileira finalmente poder com um espaço condigno onde fossem abrigadas nobremente algumas de nossas mais representativas Instituições- ACADEMIA BRASILEIRA DE MEDICINA VETERINÁRIA, ACADEMIA DE MEDICINA VETERINÁRIA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, ACADEMIA BRASILEIRA DE VETERINÁRIA MILITAR, SOCIEDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA DO RIO DE JANEIRO, MÚTUA DOS VETERINÁRIOS e outras, além de conter museu, biblioteca, auditório e outras instalações, constituindo o Centro Médico Veterinário Nacional- a Casa do Médico Veterinário Brasileiro. Nela seriam montados e desenvolvidos cursos, conferências, palestras, simpósios e demais solenidades nacionais e internacionais inerentes à nossa CLASSE, concentrando profissionais e universitários em busca de aprimoramento e cultura profissional. Um legado inestimável às tradições e que poderia ser ocupado entusiasticamente pelas gerações que se sucederão, cada vez mais enriquecidas de conhecimentos gerados naquela Casa!

Caso concretizado tal desiderato ela, em pouco tempo, se tornaria um polo de relacionamento e referência técnico-científica junto a nossa Sociedade, respeitada e sempre consultada nos problemas relativos à saúde animal e indiretamente à saúde humana, pelas suas clássicas atividades inerentes e que, cada vez mais, deverão ser incrementadas, para o necessário reconhecimento de sua importância tanto no âmbito nacional, como internacional, vetor inestimável de desenvolvimento do País na produção, exportação e consumo interno de produtos de origem animal, cada vez agregando maior qualidade à quantidade, tanto na sanidade e produtividade dos rebanhos nacionais de valor comercial, reforçando a indústria de alimentos e o abastecimento, situando-os como o maior CELEIRO do mundo!CLEO CARNEIRO BAETA NEVESAcadêmico AMVERJ Cadeira n. 05


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